06 janeiro, 2011

Alcance da Perfeição




Antes de prosseguir, peço licença para associar características do Arcadismo (literatura) ao que será dito a seguir. Não há o intuito de provar que os assuntos tratados se relacionam com artifícios literários, mas sim uma forma encontrada para articular pensamentos e elucidar, ao meu modo, através de um jogo de palavras.

***

O que é perfeição? Fácil moldar o que pode ser perfeito e chegar a conclusões de que não passa de utopia.

A busca descomunal de uma suposta perfeição pode levar a um só caminho: a desilusão. E este desapontamento pode ser visto de uma maneira positiva e outra negativa.

Positiva no sentido de nos tirar de um torpor, de nos fazer enxergar como realmente são os fatos. Até então, as situações da realidade se encontravam bloqueadas por fantasias que eram sustentadas.

Em contrapeso, se não soubermos lidar com a realidade tal qual ela é, carregaremos uma decepção por sabermos que aquilo que idealizamos nada mais é que uma forma de não perceber a própria realidade; ou de não querer percebê-la. Idealizações em demasia que impliquem no viver em busca de ilusões são o primeiro passo para a desilusão.

Planejar, ter metas estipuladas e acreditar que planos possam ser concluídos da forma que se almeja não é ruim, mas se torna perigoso quando não se tem a real percepção da realidade e das reais possibilidades. Não basta querer ou imaginar como as coisas seriam, pois nada acontece se ficarmos inertes. Sempre é preciso dar o primeiro passo para que realizações ocorram, mesmo que este passo seja ínfimo e conte com auxílio da sorte (ou coincidência, ou destino, fica a critério de cada um).

A “perfeição” tão sonhada pode estar em tudo, desde que se esteja com os pés no chão. Perfeição pode ser um cantinho bacana para morar, ler um bom livro, ter bons amigos, um almoço em família e tantas outras circunstâncias. Isto remete à característica do Aurea Mediocritas, que trata da ideia de que o que se tem, ainda que seja pouco, pode ser o suficiente para proporcionar a felicidade. Esta é a condição básica para ser feliz: contentar-se com o que se tem.

Interessante também abordar o Fugere Urbem, que traduz a fuga para o campo, longe de uma cidade conturbada. Neste sentido, até uma simples casa no campo traria tranquilidade para o espírito e significaria um momento perfeito.

Abre-se espaço para falar sobre a busca de um alguém perfeito, com quem se possa ter um relacionamento saudável e, acima de tudo, recíproco. Na minha opinião, e não somente ao meu ver, a perfeição de um relacionamento está principalmente nisso: na reciprocidade.

Quando aprendemos a enxergar o perfeito naquele que está conosco, ainda que não fechemos os olhos para seus inúmeros defeitos, tudo se torna claro e saudável. A questão é saber lidar com o que se tem e saber enxergar o real, e não as ilusões que alimentamos. Rotular as pessoas é um dos maiores erros, porque isso nos traz insatisfação; nos torna incapazes de aceitarmos ao outro em suas particularidades.

É difícil quando se espera algo de alguém sem que isto esteja no querer do outro em realizar o que esperamos. É mais fácil atribuir a culpa ao outro do que se adequar ao que, de fato, existe.

Não adianta forçar uma situação de acordo com o que queremos que aconteça se há algo mais forte que a desvia daquilo que imaginamos. Menciono dois caminhos/soluções: ou nos adequamos ou ignoramos racionalmente. Estas duas maneiras citadas de se lidar, na minha concepção, são as mais prudentes. Isto porque ambas podem acrescentar e nos fazer crescer em algum sentido, hora nos tornando tolerantes, hora cortando o excesso - o desnecessário.

Esta última, qual seja o “ignorar racionalmente”, carrega a filosofia do Inutilia Truncat que, em outros termos, traduz o “cortar o inútil”. Isto significa acabar com os excessos e enxergar as coisas de uma forma mais simplificada, evitando provocar confusões ou complicar o que pode ser simples. O que se pressupõe é que caso se alimente ilusões, que por si só nada acrescem e apenas desvirtuam o caminho, a frustração baterá à porta. Sendo assim, prudente se faz ignorar de maneira racional tudo que não nos acrescenta.

Interessante é aproveitar a vida com aquilo que ela lhe oferece, não desperdiçando oportunidades e não viver de sonhos impossíveis: viver o agora, pensar no presente, uma vez que o futuro é consequência do que se faz hoje. Nada mais pertinente do que mencionar a frase em latim Carpe diem, traduzida também como “aproveite o dia”.

Imperioso é se manter firme, viver a sua realidade da melhor forma possível, sem nutrir sonhos impossíveis. Sonhar é permitido e é algo que deve ser perene, desde que estes sonhos não transponham a barreira do possível e sob a condição de que haja comprometimento para correr atrás se puderem ser alcançados.

O que se pode sintetizar é que a perfeição está pura e simplesmente no Carpe Diem! Que esta expressão seja vista com amplo significado e que tudo que seja apto de proporcionar crescimento pessoal seja enfatizado.

Procure descrever para si mesmo a sensação de se realizar algo produtivo, prazeroso, relevante. Pense e repense no quanto é necessário viver o agora, até que este se torne uma doce lembrança. E assim...

... Aproveite o dia!

10 comentários:

  1. Belíssimo pensamento! gostei muito mesmo, parabéns e não demore mt para escrever de novo

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  2. (Só para descontar seu comentário lá no blog fingindo-se de ignorante...)
    Você tá tão "latina" :)
    O inicio do texto que trata sobre perfeição e cobranças, tem tudo haver com o Black Swan.
    A segunda parte que trata sobre relacionamentos, é bem mais complexo. O mundo muda, e nos adaptamos. Minha opinião sobre essa adaptação é radical demais, e cheguei a um nível de maturidade que é melhor ver e esperar. Nos últimos anos a figura que mais me marcou foi a de um senhor, velho e sábio. Ele foi o único a manter o silencio no meio de tantos mentirosos. O silencio e a cumplicidade são coisas presentes nos que sabem viver bem. Bom demais aprender.
    Carpe Diem pra você!
    Bjs

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  3. Gostei muito do seu blog, me identifiquei bastante com as suas opiniões e seu modo de ver a vida.
    Parabéns pelos textos!!!
    Bjuss....

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  4. Olha, eu acho que esse negócio de perfeição é sinônimo de utopia. Mesmo a natureza, que temos como perfeita, possui defeitos se pesquisarmos bem ou dependendo das circunstancias. O fato é que utopia e perfeição é o que nos move. Já definiram utopia como a linha do horizonte, que serve pra você tentar alcançar e nunca conseguir alcançar. Sendo assim, não acredito que a condição para ser feliz seja contentar-se com o que se tem, porque se perdermos a vontade de buscar mais e querer mais, sem se contentar ou conformar, a vida perderia completamente o seu sentido. Pelo menos pra mim. Claro que conhecer a realidade e não viver de sonhos impossíveis nos torna melhor, porque frustração não faz bem a ninguém.
    Bem, é isso.
    Adorei seu texto, e adoro esse negócio de Carpe Diem! =D
    Beijo =*

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  5. Olá, sou Arione. Seu blog é lindo. Estou seguindo o blog. Segue o meu?
    http://arionetorrres.blogspot.com
    Tchau...

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  6. Parabéns pelo blog.. entra no meu e segue!!

    ps.: estou te seguindo!

    Abraço,
    PREGUIÇA ALHEIA
    _________________________
    http://www.preguicaalheia.com

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  7. Vocês tem um blog juntos... saudades de mais de vcs.

    Bom, aqui estou eu, assino como Heat, mas sou a Ana Veterinária.

    Bjos para os dois.

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  8. A busca da perfeição é o que nos move,e é ela que exige de nós o nosso melhor. Gostei muito da sua abordagem. Até copiei uma frase: ‎"o que se tem, ainda que seja pouco, pode ser o suficiente para proporcionar a felicidade". Parabéns Lila!!!! Abraço, Felipe Burmann

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  9. Fiquei muito feliz em ler seu texto.. foi uma aula de literatura.. meus parabéns.. alguns conceitos a gente passa.. outros a gente reforça.. ms o que vale mesmo?.. sim sim. a essência.. parabéns!

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    1. Grande professor Eurípedes, quem me inspirou a escrever este texto!! Lembro até hoje dessa aula, inclusive foi mencionado o filme "Sociedade dos Poetas Mortos" como exemplo para melhor fixar o conteúdo.
      Fico muito feliz pelo comentário!
      Um grande abraço, mestre!

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